Nelson Sargento

Uma vida inteira transformada em arte.

Compositor, cantor, pesquisador, escritor, ator e artista plástico, Nelson Sargento construiu uma trajetória central para a cultura brasileira.

Nelson Sargento sentado entre pinturas de sua autoria, com os braços erguidos.
Imagem:A confirmar.Fonte / acervo:A confirmar.Direitos:A confirmar

Nelson Sargento, em muitas linguagens

Nelson Sargento construiu uma trajetória que atravessou o samba, a interpretação, a pesquisa da música popular brasileira, a escrita, a atuação e as artes plásticas. Em todas essas frentes, trabalhou com uma matéria comum: a experiência vivida, a memória, o cotidiano, o humor, as relações humanas e a vida comunitária.

Do Salgueiro à Mangueira

Nelson Mattos nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1924. Viveu na Tijuca e, ainda menino, mudou-se com a mãe, Rosa Maria da Conceição, para o Morro do Salgueiro, onde teve contato direto com as escolas de samba e participou da Azul e Branco. Mais tarde, diante das dificuldades da família, mudou-se para a Mangueira, acolhido por Alfredo Português.

Nelson Sargento em retrato histórico em preto e branco.
Nelson Sargento em registro histórico. Crédito: A confirmar.

Alfredo Português: ofício, música e formação

Alfredo Português foi pai de criação, compositor e trabalhador da construção civil. Com ele, Nelson aprendeu o ofício de pintor de paredes e desenvolveu conhecimentos sobre composição, rima, escuta e construção poética. Naquele ambiente, trabalho e criação faziam parte da mesma formação.

Alfredo Português sentado com um instrumento de cordas.
Alfredo Português. Crédito: A confirmar.

A escola dos mestres

Na Mangueira, Nelson conviveu com Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Aluízio Dias e outros nomes fundamentais do samba. Observava, ouvia, memorizava e aprendia. Em 1947, passou a integrar a ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira, iniciando uma relação que marcaria toda a sua vida.

Da patente ao nome: compositor de Mangueira

Nelson serviu ao Exército entre 1945 e 1949 e foi promovido a terceiro-sargento em 13 de setembro de 1946, patente que passou a integrar sua identidade pública como Nelson Sargento. Em 1947, ingressou na ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira e, ao lado de Alfredo Português, participou de importantes disputas de samba-enredo. Entre suas obras mais conhecidas está “Cântico à Natureza — As Quatro Estações do Ano”, também lembrada como “Primavera”, parceria com Alfredo Português e Jamelão.

Do ofício ao palco

Durante anos, Nelson conciliou o trabalho em fábrica de vidros e na construção civil com a composição, o violão e as rodas de samba. A profissionalização artística ganhou novo impulso na década de 1960, com sua participação no espetáculo Rosa de Ouro, idealizado por Hermínio Bello de Carvalho.

Página documental com fotografia do show Rosa de Ouro.
Show Rosa de Ouro: Paulinho da Viola, Nelson Sargento, Nescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho e Elton Medeiros. Crédito: A confirmar.

O artista nos palcos e nos discos

Depois de Rosa de Ouro, Nelson integrou formações como A Voz do Morro e Os Cinco Crioulos, grupos importantes para a afirmação de compositores populares como intérpretes de suas próprias obras. Sua trajetória reuniu gravações, shows, parcerias e encontros com diferentes gerações de artistas.

Nelson Sargento sentado com um violão.
Nelson Sargento com violão. Crédito: A confirmar.
Nelson Sargento em registro fotográfico de perfil.
Nelson Sargento em registro de presença cênica. Crédito: A confirmar.

Palavra, memória e pensamento

A relação de Nelson com a palavra ultrapassou as letras de samba. Ele escreveu, participou de pesquisas, registrou memórias e refletiu sobre música, cultura popular e cotidiano. Sua convivência com diferentes gerações do samba e sua capacidade de recordar pessoas, melodias e episódios fizeram dele uma testemunha fundamental da história cultural do Rio de Janeiro.

Crédito: A confirmar.

O ator e a presença em cena

Nelson também atuou no cinema, na televisão e em outros projetos audiovisuais. Sua presença cênica, já desenvolvida nos espetáculos musicais, encontrou na atuação mais uma forma de expressão baseada na palavra, no gesto, no tempo e na relação com o público.

Nelson Sargento em cena no filme O Primeiro Dia.
Cena do filme O Primeiro Dia, de Walter Salles. Crédito: A confirmar.

A cor como linguagem

Na década de 1970, sua produção em pintura começou a ganhar maior visibilidade. O conhecimento de tintas e superfícies vinha do trabalho como pintor de paredes e, na tela, encontrou outro campo de experimentação. Paisagens, morros, casas, figuras e cenas cotidianas passaram a compor uma linguagem visual própria. Em 1973, levou seis quadros ao aniversário do jornalista Sérgio Cabral e vendeu todos, episódio associado ao início público de sua trajetória como artista plástico.

Conheça as artes plásticas de Nelson Sargento

Nelson Sargento pintando uma paisagem sobre tela.
Nelson Sargento pintando uma tela. Crédito: A confirmar.

Um artista que recusava fronteiras

Nelson Sargento não foi apenas sambista, compositor, cantor, escritor, pesquisador, ator ou pintor. Essas linguagens coexistiam e se alimentavam de uma mesma capacidade de observar o cotidiano, reunir memória e humor e transformar experiência em criação.

Crédito da imagem: A confirmar.

Entre memória e permanência

Nelson Sargento morreu no Rio de Janeiro, em 27 de maio de 2021, aos 96 anos. Sua obra permanece nas canções, nos registros, nas pesquisas, nos relatos e nas pinturas que continuam surgindo em coleções e acervos. O Samba em Cores parte desse legado para ampliar o conhecimento sobre sua produção visual sem apagar a centralidade do samba em sua trajetória.

Nelson Sargento sentado junto a uma pintura de sua autoria.
Nelson Sargento com uma de suas pinturas. Crédito: A confirmar.